O CONTAR E RECONTAR HISTÓRIAS
Uma casa com o canto da bruxa. Uma escada que leva aos sonhos, os mensageiros do vento balançam embalando os sons das histórias. No chão a colcha de retalhos transformando a vida por instantes em lembranças da infância. Em cada pedaço de pano costurado uma história para ser contada. No contar e recontar a história o cenário da narrativa é de suma importância para que o contador de histórias tenha liberdade de expressão. É no cenário, que estão os personagens, o tema, o enredo com início, meio e fim. Essa junção nos faz criar e recriar, inventar e reinventar novas histórias.
Temos o esboço das histórias. Ouvimos e contamos nossas histórias todos os dias. A criação do esboço da história é através também da leitura. Por isso, devemos ler muitas histórias para as nossas crianças. Dar o livro para ela contar, mesmo que ela seja pequena e ainda não aprendeu a ler. Ela pega o livro vai nomeando as imagens e fala como estivesse contando. E nesse contar e recontar a criança desenvolve a estrutura da linguagem interior. Essa linguagem tão sofisticada e diferente da nossa linguagem do dia a dia.
Lá fora os carros correm, as motos roncam, as pessoas falam e andam em busca de caminhos. A guerra começa em um país distante. Na casa encantada, o cenário está montado para tudo começar, os narradores são provocados pela imagem cênica que os leva à descontração, ao movimento e à catarse de ação. O aquecimento é feito e a dramatização começa.
Cada um resgata suas memórias. Eles brincam com as mãos, seguem os gestos com o olhar acompanhando o ritmo da música calma e suave. Aquecidos, entram no espaço cênico para representarem as memórias da infância. Lembranças das cantigas de roda, cheiros guardados do pão da avó, lugares e momentos do passado. Eles não são atores de teatro. São contadores de histórias livres na expressão e na espontaneidade. Autoridades no momento da apresentação da própria vida interior.
De conto em conto fui formando as histórias da minha vida.
Linhas traçadas e teias formadas.
Rebuscadas nas lembranças da infância.
O olhar é essencial. Através dos olhos conversamos com a criança que nos ouve.
As mãos acompanham a fala e completam a narrativa.
Se cada conto aumenta um ponto: trace a sua teia. Cuide de você, reencante com a sua profissão, redescubra o seu aluno. Acredite nele e na sua capacidade de ensinar a aprender.




