Hoje, foi uma revista de 1991, que despertou em mim a vontade de escrever.
O Novelo de Linha
Pegue
o novelo de linha ou lã e segure-o com a mão esquerda, a mão direita vai
buscando bem devagar o miolo, o centro, o interior, o escuro do novelo.
Manuseando com calma e paciência, você vai encontrar a ponta que lá esta. É a
ponta certa. Ai sim pode puxar!
E
por que escrever sobre histórias, mitos, lendas e outras contos?
Continuamos
na busca de um caminho mais místico, alquímico e por que não, em busca de si mesmo,
da nossa criança que corre, brinca, chora e ainda se encanta com o barulho do
mar.
Por
isso vamos buscar Jung, que nos diz: “...os
contos de fada dão expressão a processos inconscientes e
sua narração provoca a revitalização desses processos, restabelecendo, assim, a
conexão entre consciente e inconsciente” (Ano Zero, out. 1991, pg 36).
As
histórias perduram até hoje. É um encontro misterioso de gerações. Elas eram
contadas a volta das fogueiras, ao lado do fogão a lenha, ao lado do berço que
embalava o sono e sonho das crianças.
Eu
tive o privilégio de ter um avô, um pai contador de histórias. Viver a infância
sem a televisão. A rua era o ponto de encontro das crianças para as
brincadeiras e, para os adultos colocarem a prosa em dia. Muitas histórias
eram contadas.
As
pessoas buscavam na memória sentimentos, recordações, lembranças do passado e
de outras pessoas para narrar fatos, acontecimentos e histórias ouvidas que
podiam estar separadas por milênios. Na existência de contadora de histórias e
no caminho da busca da minha criança eterna volto a encontrar Jung e os aquétipos “...são disposições herdadas pela humanidade para produzir imagens e pensamentos similares em
culturas, lugares épocas diferentes. Carregados de emoção, os arquétipos são
universais e milenares”. (Ano Zero, out. 1991, p. 36).
As
narrativas têm um significado metafórico, ajudando o narrador e ouvinte a
entenderem a si mesmo. O mundo das histórias provoca uma organização e um
significado de interesses nos que ouvem. Significados estes que passam pelo
envolvimento emocional, correspondendo às ansiedades dos ouvintes, organizando
e mostrando sentidos que a vida possa ter. Os ouvintes lidam com os elementos
da história espontaneamente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário