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sexta-feira, 1 de abril de 2016

A CATADORA DE HISTÒRIAS

Hoje, foi uma revista de 1991, que despertou em mim a vontade de escrever. 

O Novelo de Linha

Pegue o novelo de linha ou lã e segure-o com a mão esquerda, a mão direita vai buscando bem devagar o miolo, o centro, o interior, o escuro do novelo. Manuseando com calma e paciência, você vai encontrar a ponta que lá esta. É a ponta certa. Ai sim pode puxar!
E por que escrever sobre histórias, mitos, lendas e outras contos? 
Continuamos na busca de um caminho mais místico, alquímico e por que não, em busca de si mesmo, da nossa criança que corre, brinca, chora e ainda se encanta com o barulho do mar.
Por isso vamos buscar Jung, que nos diz: “...os contos de fada dão expressão a processos inconscientes e sua narração provoca a revitalização desses processos, restabelecendo, assim, a conexão entre consciente e inconsciente” (Ano Zero, out. 1991, pg 36).
As histórias perduram até hoje. É um encontro misterioso de gerações. Elas eram contadas a volta das fogueiras, ao lado do fogão a lenha, ao lado do berço que embalava o sono e sonho das crianças.
Eu tive o privilégio de ter um avô, um pai contador de histórias. Viver a infância sem a televisão. A rua era o ponto de encontro das crianças para as brincadeiras e, para os adultos colocarem a prosa em dia. Muitas histórias eram contadas.
As pessoas buscavam na memória sentimentos, recordações, lembranças do passado e de outras pessoas para narrar fatos, acontecimentos e histórias ouvidas que podiam estar separadas por milênios. Na existência de contadora de histórias e no caminho da busca da minha criança eterna volto a encontrar Jung e os aquétipos    “...são disposições herdadas pela humanidade para  produzir imagens e pensamentos similares em culturas, lugares épocas diferentes. Carregados de emoção, os arquétipos são universais e milenares”. (Ano Zero, out. 1991, p. 36).
As narrativas têm um significado metafórico, ajudando o narrador e ouvinte a entenderem a si mesmo. O mundo das histórias provoca uma organização e um significado de interesses nos que ouvem. Significados estes que passam pelo envolvimento emocional, correspondendo às ansiedades dos ouvintes, organizando e mostrando sentidos que a vida possa ter. Os ouvintes lidam com os elementos da história espontaneamente.


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