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quarta-feira, 22 de junho de 2016

DOZE LUAS

         Trabalho produzido na Pós-graduação de Mitologia Criativa, Contos de Fada e Psicologia Analítica.

DOZE LUAS – DOZE MULHERES – UM HOMEM

GRITO ABAFADO

Na lua crescente
A mulher grita o desejo
De ser
De fazer
O que quer
Mas o céu invade seu plexo solar
Arrasta-a para a dor de não poder se libertar
Sente a alma roubada
Na ruptura do crescer e do minguar
Chora o choro calado
O grito abafado a esgota
Está suspensa
Por braços
Por pernas
Por olhos alheios
Na vontade de engoli-la
Grita mulher
Chega!
Berra mulher
Porra!
Mulher
Mostra a sua selvageria
                                                                              


O PARTO

A lua crescente toca o sol
Envolve-o e brilha
Dando sentido à sua permanência
A mulher busca o seu ser mais profundo
Dando sentido à sua existência

A lua penetra e absorve o sol
Quer continuar a brilhar
A mulher busca erros e acertos em sua natureza
Quer continuar ter vida-morte-vida

A lua está nova
A mulher está renovada

A lua está plena
A mulher na plenitude

A lua minguante
A mulher perseverante e feminina

                                                  

                                              A GOTA DE LÁGRIMA

Cada gota de lágrima é abençoada
Limpa
Refaz
Aquece a alma

A lua minguante chora
Sente dor
Sabe que vai morrer e renascer

A mulher
Nessa vida-morte-vida
Busca o encontro
Deseja o retorno do feminino

A lágrima cai
A lua chora
A mulher renasce
Esgueira-se e tocar a própria

O OLHAR

Na terra divida
A imagem surge da própria terra
Os braços da mulher
Abrem-se em galhos
Galhos que tocam o céu
O corpo da mulher
Espera o vento
Vento que uiva nos longos cabelos do vento
No céu a imagem
Da terra dividida
A mulher não quer ver
Ver apenas um olho
Olho que dividiu a terra
Em amores e ódios
A mulher permite
Que seja divida pela terra
Que o vento a eleve
Que os galhos a faça dançar
Que o único olho feche
Ela quer ver novamente

                                                                                                   
AOS POETAS

A lua se esconde
Na sua percepção
No seu enternecimento
A lua espera
Para elevar-se à devoção
De reinventar-se
De imaginar-se
Para uma façanha impressionante
Amar
Amar
Amar o céu
Céu que a acolhe
Que a esconde
Lua crescente
Frágil
Na fragilidade do vazio
Busca os amores
Da fidelidade dos poetas
Aos poemas de amor
À mulher amada 


ESCREVINHADORA

Não sou poeta
Sou apenas uma escrevinhadora
Quero sentir a lua crescer
Minguar
Crescer
Sento-me junto à janela
Canto para ela
Uma canção de amor
Escrevo-lhe versos
Sem sentido
Cartas não enviadas
Crio histórias sem fim
Oh!
Minha lua minguante
Abra seus olhos
Olhe para mim
Abra sua boca
Deixe o sol sair
Quero a proeza do envelhecer
Sentar-me junto à janela
E cantar para você

                                                                                 
À CRIANÇA

Pense em você
Pense no outro
Pensar e sentir
Sentir a linha infinita
Que busca a pequena criança

Brincar
Bater os pés
Esbravejar
Sentir a dor e a tristeza
Pese
Sinta
Pensar o que sente
Sentir o que pensa

É você

É ela
A criança em você
Na brincadeira de viver
O pensar e o sentir
                                                                                 


INFINITO

Quem gerou o mar
Foi o céu
Quem gerou o céu
Foi a terra
Que gerou a terra
Foi o infinito
Esse infinito em mim
Em você

Nele
Nela
Seres de corpo e
               alma
 Que caracterizam
Forças
E
Energias
De toda infinita natureza
Do eterno infinito
                                                   
                                                                                                     


LIBERTAR-SE

Terra
Sol
Lua
Círculo fechado
Pronto para explodir
Gritar
Possuir
Uma vontade saudável
Desfazer as máscaras
Libertar-se
De disciplinas
Refazê-las
Revê-las
Para se tornarem misteriosas
Círculo fechado
Abrir      Quebrar     Romper
Ser livre
Na nova jornada
                                                                            

LÓTUS

O lugar
A guerra
A fé
De olhar a si mesmo
Frágil olhar
Medo
Água   Terra    Fogo   Ar

O clarão iluminou o céu
A estrela caiu
O pedido foi feito
Regresso para a própria casa
Ouve a canção de ninar
Na lembrança
A flor de lótus
Protegida
Despertada para uma nova canção 


CRESCER

Aconteceu-me
Foi um sonho
Sonho sonhado
Sonho queimado
No clarão do céu
Céu azul
Lua cinza
Crescer
Completar
Ficar cheia
Brilhar no infinito
Sonhar o sonho sonhado
Luz
Alvorecer
Clarear a terra
Ser eu
Eu no meu original
                                                                           


GESTAR-SE

No embalo
E mansidão do mar
Abro o meu coração
Rompo
As couraças
As amarras
As farsas
As sombras e feridas

Sinto

o vento
                                                              a brisa
 o sopro
        do mar

                          grito

Desejo
O renascer
Refrescante da ternura
De VIVER