DOZE LUAS – DOZE MULHERES – UM
HOMEM
GRITO
ABAFADO
Na
lua crescente
A
mulher grita o desejo
De
ser
De
fazer
O
que quer
Mas
o céu invade seu plexo solar
Arrasta-a
para a dor de não poder se libertar
Sente
a alma roubada
Na
ruptura do crescer e do minguar
Chora
o choro calado
O
grito abafado a esgota
Está
suspensa
Por
braços
Por
pernas
Por
olhos alheios
Na
vontade de engoli-la
Grita
mulher
Chega!
Berra
mulher
Porra!
Mulher
Mostra
a sua selvageria
O
PARTO
A
lua crescente toca o sol
Envolve-o
e brilha
Dando
sentido à sua permanência
A
mulher busca o seu ser mais profundo
Dando
sentido à sua existência
A
lua penetra e absorve o sol
Quer
continuar a brilhar
A
mulher busca erros e acertos em sua natureza
Quer
continuar ter vida-morte-vida
A
lua está nova
A
mulher está renovada
A
lua está plena
A
mulher na plenitude
A
lua minguante
A
mulher perseverante e feminina
A GOTA DE
LÁGRIMA
Cada
gota de lágrima é abençoada
Limpa
Refaz
Aquece
a alma
A
lua minguante chora
Sente
dor
Sabe
que vai morrer e renascer
A
mulher
Nessa
vida-morte-vida
Busca
o encontro
Deseja
o retorno do feminino
A
lágrima cai
A
lua chora
A
mulher renasce
Esgueira-se
e tocar a própria
O
OLHAR
Na
terra divida
A
imagem surge da própria terra
Os
braços da mulher
Abrem-se
em galhos
Galhos
que tocam o céu
O
corpo da mulher
Espera
o vento
Vento
que uiva nos longos cabelos do vento
No
céu a imagem
Da
terra dividida
A
mulher não quer ver
Ver
apenas um olho
Olho
que dividiu a terra
Em
amores e ódios
A
mulher permite
Que
seja divida pela terra
Que
o vento a eleve
Que
os galhos a faça dançar
Que
o único olho feche
Ela
quer ver novamente
AOS
POETAS
A
lua se esconde
Na
sua percepção
No
seu enternecimento
A
lua espera
Para
elevar-se à devoção
De
reinventar-se
De
imaginar-se
Para
uma façanha impressionante
Amar
Amar
Amar
o céu
Céu
que a acolhe
Que
a esconde
Lua
crescente
Frágil
Na
fragilidade do vazio
Busca
os amores
Da
fidelidade dos poetas
Aos
poemas de amor
À mulher amada
ESCREVINHADORA
Não
sou poeta
Sou
apenas uma escrevinhadora
Quero
sentir a lua crescer
Minguar
Crescer
Sento-me
junto à janela
Canto
para ela
Uma
canção de amor
Escrevo-lhe
versos
Sem
sentido
Cartas
não enviadas
Crio
histórias sem fim
Oh!
Minha
lua minguante
Abra
seus olhos
Olhe
para mim
Abra
sua boca
Deixe
o sol sair
Quero
a proeza do envelhecer
Sentar-me
junto à janela
E
cantar para você
À CRIANÇA
Pense
em você
Pense
no outro
Pensar
e sentir
Sentir
a linha infinita
Que
busca a pequena criança
Brincar
Bater
os pés
Esbravejar
Sentir
a dor e a tristeza
Pese
Sinta
Pensar
o que sente
Sentir
o que pensa
É
você
É
ela
A
criança em você
Na
brincadeira de viver
O
pensar e o sentir
INFINITO
Quem
gerou o mar
Foi
o céu
Quem
gerou o céu
Foi
a terra
Que
gerou a terra
Foi
o infinito
Esse
infinito em mim
Em
você
Nele
Nela
Seres
de corpo e
alma
Que caracterizam
Forças
E
Energias
De
toda infinita natureza
Do
eterno infinito
LIBERTAR-SE
Terra
Sol
Lua
Círculo
fechado
Pronto
para explodir
Gritar
Possuir
Uma
vontade saudável
Desfazer
as máscaras
Libertar-se
De
disciplinas
Refazê-las
Revê-las
Para
se tornarem misteriosas
Círculo
fechado
Abrir Quebrar Romper
Ser
livre
Na
nova jornada
LÓTUS
O
lugar
A
guerra
A
fé
De
olhar a si mesmo
Frágil
olhar
Medo
Água Terra
Fogo Ar
O
clarão iluminou o céu
A
estrela caiu
O
pedido foi feito
Regresso
para a própria casa
Ouve
a canção de ninar
Na
lembrança
A
flor de lótus
Protegida
Despertada
para uma nova canção
CRESCER
Aconteceu-me
Foi
um sonho
Sonho
sonhado
Sonho
queimado
No
clarão do céu
Céu
azul
Lua
cinza
Crescer
Completar
Ficar
cheia
Brilhar
no infinito
Sonhar
o sonho sonhado
Luz
Alvorecer
Clarear
a terra
Ser
eu
Eu
no meu original
GESTAR-SE
No
embalo
E
mansidão do mar
Abro
o meu coração
Rompo
As
couraças
As
amarras
As
farsas
As
sombras e feridas
Sinto
o
vento
a brisa
o sopro
do mar
grito
Desejo
O
renascer
Refrescante
da ternura
De
VIVER