PACIÊNCIA INFINITA
Carmelina
Escritora
A menina não tão bela, era
patinho feio na família. Enquanto na escola era a rainha, a princesa, a pequena
levada. Foi a primeira menina a ir para a diretoria naquela escola.
Com os amigos era a palhaça. A
alegria de viver intensamente na rua de terra batida com as brincadeiras:
corre-corre, pega-pega, esconde-esconde, barra manteiga, queimada e tantas
outras.
A menina tinha um sonho... ser
cantora de rádio. Mas era desafinada. Quando uma vez por semana as crianças
brincavam de programa de rádio: que desespero, que solidão. Quando ela soltava
a voz... ninguém compreendia. Eram risos, comentários jocosos. Que tristeza.
Um dia tomou uma decisão. Foi
para o quintal pegou um cabo de vassoura, uns jornais velhos, panos, barbante,
tesoura e começou o desafio.
À tarde quando o pai chegou,
ela ainda estava lá na tentativa e erro.
Chorava a menina: como fazer
aquele cabo de vassoura ficar em pé?
O pai, na sua paciência
infinita, encontrou uma tampa de panela velha, tirou o puxador, aumentou o furo
e adaptou o cabo de vassoura. Agora faltava colocar o microfone que ela tinha
feito com as sucatas que havia encontrado em casa.
Na paciência infinita o pai
amarrou com um pedaço de barbante. Pronto. A menina tinha o seu próprio
microfone.
Naquele final de semana ela
vestiu o seu vestido de missa, calçou meias e sapatos, prendeu o cabelo no alto
com um lindo laço de fita vermelha. Estava deslumbrante.
Quando as crianças chegaram
para começar o programa de rádio. Lá estava ela com o seu próprio microfone
todo pintado com uma tinta que parecia purpurina dourada.
Naquela noite a menina começou
a sua história. De apresentadora de programa de rádio na infância à contadora
de histórias...

