Páginas

sábado, 3 de abril de 2021

PACIÊNCIA INFINITA

 


                                                                  PACIÊNCIA INFINITA

Carmelina Escritora

A menina não tão bela, era patinho feio na família. Enquanto na escola era a rainha, a princesa, a pequena levada. Foi a primeira menina a ir para a diretoria naquela escola.

Com os amigos era a palhaça. A alegria de viver intensamente na rua de terra batida com as brincadeiras: corre-corre, pega-pega, esconde-esconde, barra manteiga, queimada e tantas outras.

A menina tinha um sonho... ser cantora de rádio. Mas era desafinada. Quando uma vez por semana as crianças brincavam de programa de rádio: que desespero, que solidão. Quando ela soltava a voz... ninguém compreendia. Eram risos, comentários jocosos. Que tristeza.

Um dia tomou uma decisão. Foi para o quintal pegou um cabo de vassoura, uns jornais velhos, panos, barbante, tesoura e começou o desafio.

À tarde quando o pai chegou, ela ainda estava lá na tentativa e erro.

Chorava a menina: como fazer aquele cabo de vassoura ficar em pé?

O pai, na sua paciência infinita, encontrou uma tampa de panela velha, tirou o puxador, aumentou o furo e adaptou o cabo de vassoura. Agora faltava colocar o microfone que ela tinha feito com as sucatas que havia encontrado em casa.

Na paciência infinita o pai amarrou com um pedaço de barbante. Pronto. A menina tinha o seu próprio microfone.

Naquele final de semana ela vestiu o seu vestido de missa, calçou meias e sapatos, prendeu o cabelo no alto com um lindo laço de fita vermelha. Estava deslumbrante.

Quando as crianças chegaram para começar o programa de rádio. Lá estava ela com o seu próprio microfone todo pintado com uma tinta que parecia purpurina dourada.

Naquela noite a menina começou a sua história. De apresentadora de programa de rádio na infância à contadora de histórias...

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário