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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Um dia em 1992

Um dia de 1992



Eu vou escrever.
Sei que vou escrever. Mas cada dia que passa não pego em um lápis, uma caneta e o papel em branco. Olho para ele e continua em branco.
A casa para cuidar, o trabalho da escola para fazer.
À noite vem a inspiração: frases, imagens, movimentos e momentos do dia a dia.
Não levanto, não anoto, apenas penso: “amanhã eu escrevo”.
No outro dia, não escrevo.    
Hoje, o dia está inteiro, só meu. Vou colocar o papel na máquina de escrever. Estou na cama. Estou só. Ele saiu para o trabalho, a casa nada pra fazer, tudo a minha volta conspira para eu escrever.
Levanto. Tomo café. Assusto quando o telefone toca. Que saco! Tão cedo e me descobriram em casa. Atendo – é engano, ótimo, vou escrever. A campainha toca. Não vou atender. Ou vou? Não sei. Ouço novamente. Merda! Quem sabe pode ser um bom personagem para o meu conto.
Abro a porta e olho. Ninguém? Será que demorei tanto para abrir a porta? É colocar o papel na máquina e escrever. O dia está inteiro.
Escrever, escrever e escrevo, escrevo sem parar. Até terminar o conto. Ponto final. Terminei.
Mas o que faço agora? Começar outra história? O dia não terminou, ele não chegou, estou só. Só muito só.
Outro conto.
Bato letra por letra na máquina de escrever e escrevo, escrevo e escrevo - s-o-l-i-d-ã-o.
O dia terminou e ele não veio eu escrevo, escrevo e escrevo...
Que fome!