Um dia de 1992
Eu vou escrever.
Sei que vou escrever. Mas cada dia que passa não pego em
um lápis, uma caneta e o papel em branco. Olho para ele e continua em branco.
A casa para cuidar, o trabalho da escola para fazer.
À noite vem a inspiração: frases, imagens, movimentos e
momentos do dia a dia.
Não levanto, não anoto, apenas penso: “amanhã eu
escrevo”.
No outro dia, não escrevo.
Hoje,
o dia está inteiro, só meu. Vou colocar o papel na máquina de escrever. Estou
na cama. Estou só. Ele saiu para o trabalho, a casa nada pra fazer, tudo a
minha volta conspira para eu escrever.
Levanto.
Tomo café. Assusto quando o telefone toca. Que saco! Tão cedo e me descobriram em casa. Atendo – é
engano, ótimo, vou escrever. A campainha toca. Não vou atender. Ou vou? Não
sei. Ouço novamente. Merda! Quem sabe pode ser um bom personagem para o meu
conto.
Abro
a porta e olho. Ninguém? Será que demorei tanto para abrir a porta? É colocar o
papel na máquina e escrever. O dia está inteiro.
Escrever,
escrever e escrevo, escrevo sem parar. Até terminar o conto. Ponto final.
Terminei.
Mas
o que faço agora? Começar outra história? O dia não terminou, ele não chegou,
estou só. Só muito só.
Outro
conto.
Bato
letra por letra na máquina de escrever e escrevo, escrevo e escrevo -
s-o-l-i-d-ã-o.
O
dia terminou e ele não veio eu escrevo, escrevo e escrevo...
Que
fome!

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