AS HISTÓRIAS ENSINAM
Quando era menina, ficava deitada no chão do quintal olhando as nuvens e sonhando. Lembro-me que pensava o que faria quando fosse grande. Construía desenhos nos blocos brancos das nuvens e montava pequenas histórias.
O contador de histórias existe dentro de cada um de nós. Precisamos despertá-lo. O professor tem uma história, uma tradição, ele constrói o seu saber ao longo do processo de vida. Por isso, há necessidade de formar redes de autotransformações participativas, trocas de experiências vivificadas em sua sala de aula. A união, o diálogo, o falar e o escutar são fundamentais e emergentes na prática profissional para a produção de saberes e valores no exercício da autonomia do professor-contador de histórias.
Neste momento de reflexão sobre o docente-contador de histórias, não estamos preocupados com o sistema pedagógico, mas sim, em fazermos uma articulação, uma rediscussão de visões educacionais que permaneceram e enrijeceram o corpo, a mente e os sonhos de alguns profissionais. Para tanto há que “relaxar” o corpo, abrir a mente e dar asas aos sonhos buscando o encantamento das histórias e o desprendimento no ato de narrar.
Visitando o universo dos deuses descobrimos que relatos foram transmitidos de geração para geração se estabelecendo e se conservando.
Jean-Pierre Vernant, no livro “O Universo, Os Deuses, Os Homens”, cita: “Enquanto uma tradição oral de lendas estiver viva, enquanto permanecer em contato com os modos de pensar e os costumes de um grupo, ela modificará: o relato ficará parcialmente aberto à inovação”. (p.13).
Queremos o docente-contador de histórias. Mergulhando na memória, na oralidade e na tradição para a sobrevivência do encantamento dele e do outro. Será uma pessoa aberta, modificador de pensamentos e inovador de sonhos.
Professor comece contando a sua história. Pois, as histórias ensinam.
Vivia sonhando – acordada, é claro!
Ouvia: “Está sonhando com os anjos, menina?”.
Ao bater asas e voar, o narrador consegue sensibilizar seus ouvintes com uma bela história.

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