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quarta-feira, 9 de julho de 2014

- Baú de Histórias ( 1 ) -

A Arte da Narrativa Oral
                                                                                   

Alguém disse: “O seu trabalho é tão bonito. Por que você não ensina?”. Ensinar...ensinar...ensinar... 



Um dia, uma parede foi quebrada e uma porta foi aberta. Algumas mulheres vieram aprender a arte de contar histórias. Eram mães, avós, professoras, assistentes sociais, fisioterapeutas, cada uma na busca de um novo momento para vida. O sonho estava sendo realizado, iria semear contadores de histórias. Foram vinte e quatro mulheres que chegaram ao final de um curso.



Trabalhamos a espontaneidade e a criatividade, quebrando as “conservas culturais” de cada uma delas. Refere-se aos modos estereotipados do agir e pensar em nosso meio social e cultural, tolhendo o corpo e as emoções. 

As histórias eram contadas e cada uma descobria o seu papel, de narradora ou fada, de bruxa ou princesa com caras, caretas, gestos, risos e redescoberta da espontaneidade corporal e principalmente da facial. Com isso não aprenderam apenas contar histórias, mas desenvolveram uma capacidade de dar respostas originais aos percalços e impedimentos da vida. 

Para despertar o contador de histórias, é necessária a autotransformação, fazer um acerto de contas com aquilo que precisa deixar de ser e mudar. A ousadia, a coragem de ser espontâneo é essencial na formação do contador de histórias. 

O corpo que foi preparado e brincado através de exercícios espontâneos em frente a um espelho, em duplas, quando uma era o espelho a outra era personagem. 

Dançamos com lenços, véus, panos coloridos, usando músicas de todos os lugares. Era um momento ímpar para cada uma, mas também um espaço para trabalharmos o grupo, a união, o dividir e o somar. 

A narrativa oral sempre foi um dos principais instrumentos para a preservação da memória da humanidade. Em volta das fogueiras, ao pé do fogão à lenha, histórias eram contadas e, assim, perpetuadas e transmitidas de geração para geração.


“Foi assim que uma tarde eu ouvi baterem á minha porta. Era uma professora que trazia um sorriso nos olhos e, nas mãos, um balaio cor-de-rosa feito de rolinhos de jornal”. (Piza,p.15/2013).



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