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terça-feira, 4 de outubro de 2016

#VENCI !





Vencer e sair da redoma de dores e dessabores 
Voar e encontrar a vida à espera de um novo dia
Um dia e depois outro e mais outro são dias e dias 
Luas e luas
Sóis e sóis

Noites de esperanças
Dias acordados para o tempo que virá 

Foi assim 
E hoje estou aqui 

Aqui para dizer:
#VENCI !

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Um dia em 1992

Um dia de 1992



Eu vou escrever.
Sei que vou escrever. Mas cada dia que passa não pego em um lápis, uma caneta e o papel em branco. Olho para ele e continua em branco.
A casa para cuidar, o trabalho da escola para fazer.
À noite vem a inspiração: frases, imagens, movimentos e momentos do dia a dia.
Não levanto, não anoto, apenas penso: “amanhã eu escrevo”.
No outro dia, não escrevo.    
Hoje, o dia está inteiro, só meu. Vou colocar o papel na máquina de escrever. Estou na cama. Estou só. Ele saiu para o trabalho, a casa nada pra fazer, tudo a minha volta conspira para eu escrever.
Levanto. Tomo café. Assusto quando o telefone toca. Que saco! Tão cedo e me descobriram em casa. Atendo – é engano, ótimo, vou escrever. A campainha toca. Não vou atender. Ou vou? Não sei. Ouço novamente. Merda! Quem sabe pode ser um bom personagem para o meu conto.
Abro a porta e olho. Ninguém? Será que demorei tanto para abrir a porta? É colocar o papel na máquina e escrever. O dia está inteiro.
Escrever, escrever e escrevo, escrevo sem parar. Até terminar o conto. Ponto final. Terminei.
Mas o que faço agora? Começar outra história? O dia não terminou, ele não chegou, estou só. Só muito só.
Outro conto.
Bato letra por letra na máquina de escrever e escrevo, escrevo e escrevo - s-o-l-i-d-ã-o.
O dia terminou e ele não veio eu escrevo, escrevo e escrevo...
Que fome!


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Ontem e Hoje

                                                                                  



Ontem

O caminho

A criança.

Hoje... 

A mulher de sonhos

A mulher de oportunidades

A mulher de caminhar em caminhos diferentes.
 


quarta-feira, 22 de junho de 2016

DOZE LUAS

         Trabalho produzido na Pós-graduação de Mitologia Criativa, Contos de Fada e Psicologia Analítica.

DOZE LUAS – DOZE MULHERES – UM HOMEM

GRITO ABAFADO

Na lua crescente
A mulher grita o desejo
De ser
De fazer
O que quer
Mas o céu invade seu plexo solar
Arrasta-a para a dor de não poder se libertar
Sente a alma roubada
Na ruptura do crescer e do minguar
Chora o choro calado
O grito abafado a esgota
Está suspensa
Por braços
Por pernas
Por olhos alheios
Na vontade de engoli-la
Grita mulher
Chega!
Berra mulher
Porra!
Mulher
Mostra a sua selvageria
                                                                              


O PARTO

A lua crescente toca o sol
Envolve-o e brilha
Dando sentido à sua permanência
A mulher busca o seu ser mais profundo
Dando sentido à sua existência

A lua penetra e absorve o sol
Quer continuar a brilhar
A mulher busca erros e acertos em sua natureza
Quer continuar ter vida-morte-vida

A lua está nova
A mulher está renovada

A lua está plena
A mulher na plenitude

A lua minguante
A mulher perseverante e feminina

                                                  

                                              A GOTA DE LÁGRIMA

Cada gota de lágrima é abençoada
Limpa
Refaz
Aquece a alma

A lua minguante chora
Sente dor
Sabe que vai morrer e renascer

A mulher
Nessa vida-morte-vida
Busca o encontro
Deseja o retorno do feminino

A lágrima cai
A lua chora
A mulher renasce
Esgueira-se e tocar a própria

O OLHAR

Na terra divida
A imagem surge da própria terra
Os braços da mulher
Abrem-se em galhos
Galhos que tocam o céu
O corpo da mulher
Espera o vento
Vento que uiva nos longos cabelos do vento
No céu a imagem
Da terra dividida
A mulher não quer ver
Ver apenas um olho
Olho que dividiu a terra
Em amores e ódios
A mulher permite
Que seja divida pela terra
Que o vento a eleve
Que os galhos a faça dançar
Que o único olho feche
Ela quer ver novamente

                                                                                                   
AOS POETAS

A lua se esconde
Na sua percepção
No seu enternecimento
A lua espera
Para elevar-se à devoção
De reinventar-se
De imaginar-se
Para uma façanha impressionante
Amar
Amar
Amar o céu
Céu que a acolhe
Que a esconde
Lua crescente
Frágil
Na fragilidade do vazio
Busca os amores
Da fidelidade dos poetas
Aos poemas de amor
À mulher amada 


ESCREVINHADORA

Não sou poeta
Sou apenas uma escrevinhadora
Quero sentir a lua crescer
Minguar
Crescer
Sento-me junto à janela
Canto para ela
Uma canção de amor
Escrevo-lhe versos
Sem sentido
Cartas não enviadas
Crio histórias sem fim
Oh!
Minha lua minguante
Abra seus olhos
Olhe para mim
Abra sua boca
Deixe o sol sair
Quero a proeza do envelhecer
Sentar-me junto à janela
E cantar para você

                                                                                 
À CRIANÇA

Pense em você
Pense no outro
Pensar e sentir
Sentir a linha infinita
Que busca a pequena criança

Brincar
Bater os pés
Esbravejar
Sentir a dor e a tristeza
Pese
Sinta
Pensar o que sente
Sentir o que pensa

É você

É ela
A criança em você
Na brincadeira de viver
O pensar e o sentir
                                                                                 


INFINITO

Quem gerou o mar
Foi o céu
Quem gerou o céu
Foi a terra
Que gerou a terra
Foi o infinito
Esse infinito em mim
Em você

Nele
Nela
Seres de corpo e
               alma
 Que caracterizam
Forças
E
Energias
De toda infinita natureza
Do eterno infinito
                                                   
                                                                                                     


LIBERTAR-SE

Terra
Sol
Lua
Círculo fechado
Pronto para explodir
Gritar
Possuir
Uma vontade saudável
Desfazer as máscaras
Libertar-se
De disciplinas
Refazê-las
Revê-las
Para se tornarem misteriosas
Círculo fechado
Abrir      Quebrar     Romper
Ser livre
Na nova jornada
                                                                            

LÓTUS

O lugar
A guerra
A fé
De olhar a si mesmo
Frágil olhar
Medo
Água   Terra    Fogo   Ar

O clarão iluminou o céu
A estrela caiu
O pedido foi feito
Regresso para a própria casa
Ouve a canção de ninar
Na lembrança
A flor de lótus
Protegida
Despertada para uma nova canção 


CRESCER

Aconteceu-me
Foi um sonho
Sonho sonhado
Sonho queimado
No clarão do céu
Céu azul
Lua cinza
Crescer
Completar
Ficar cheia
Brilhar no infinito
Sonhar o sonho sonhado
Luz
Alvorecer
Clarear a terra
Ser eu
Eu no meu original
                                                                           


GESTAR-SE

No embalo
E mansidão do mar
Abro o meu coração
Rompo
As couraças
As amarras
As farsas
As sombras e feridas

Sinto

o vento
                                                              a brisa
 o sopro
        do mar

                          grito

Desejo
O renascer
Refrescante da ternura
De VIVER
                                                                                




segunda-feira, 18 de abril de 2016

Boa tarde!
Gostaria de convidar os contadores e contadoras de histórias que passaram pela minha casa, para o SARAU de apresentação das novas alunas e também para o lançamento do meu LIVRO INFANTIL: "DIGUI... DIGUI...Passa o Ponto". 
Será na próxima segunda-feira, dia 25/04/2016.
Claro, na minha casa.
Às 19:30 horas.
Você pode preparar uma história, uma música, um poema...uma dança.
Enquanto eu dou o autógrafo, você apresenta.
AAAAAAAAAAhhhhhh!!!!! O valor do livro?????
Apenas $15,00 reais.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

A CATADORA DE HISTÒRIAS

Hoje, foi uma revista de 1991, que despertou em mim a vontade de escrever. 

O Novelo de Linha

Pegue o novelo de linha ou lã e segure-o com a mão esquerda, a mão direita vai buscando bem devagar o miolo, o centro, o interior, o escuro do novelo. Manuseando com calma e paciência, você vai encontrar a ponta que lá esta. É a ponta certa. Ai sim pode puxar!
E por que escrever sobre histórias, mitos, lendas e outras contos? 
Continuamos na busca de um caminho mais místico, alquímico e por que não, em busca de si mesmo, da nossa criança que corre, brinca, chora e ainda se encanta com o barulho do mar.
Por isso vamos buscar Jung, que nos diz: “...os contos de fada dão expressão a processos inconscientes e sua narração provoca a revitalização desses processos, restabelecendo, assim, a conexão entre consciente e inconsciente” (Ano Zero, out. 1991, pg 36).
As histórias perduram até hoje. É um encontro misterioso de gerações. Elas eram contadas a volta das fogueiras, ao lado do fogão a lenha, ao lado do berço que embalava o sono e sonho das crianças.
Eu tive o privilégio de ter um avô, um pai contador de histórias. Viver a infância sem a televisão. A rua era o ponto de encontro das crianças para as brincadeiras e, para os adultos colocarem a prosa em dia. Muitas histórias eram contadas.
As pessoas buscavam na memória sentimentos, recordações, lembranças do passado e de outras pessoas para narrar fatos, acontecimentos e histórias ouvidas que podiam estar separadas por milênios. Na existência de contadora de histórias e no caminho da busca da minha criança eterna volto a encontrar Jung e os aquétipos    “...são disposições herdadas pela humanidade para  produzir imagens e pensamentos similares em culturas, lugares épocas diferentes. Carregados de emoção, os arquétipos são universais e milenares”. (Ano Zero, out. 1991, p. 36).
As narrativas têm um significado metafórico, ajudando o narrador e ouvinte a entenderem a si mesmo. O mundo das histórias provoca uma organização e um significado de interesses nos que ouvem. Significados estes que passam pelo envolvimento emocional, correspondendo às ansiedades dos ouvintes, organizando e mostrando sentidos que a vida possa ter. Os ouvintes lidam com os elementos da história espontaneamente.


quinta-feira, 31 de março de 2016

A CATADORA DE HISTÓRIAS

Na conversa com uma querida amiga digo a ela: "descubra a sua criança interior!". 
Escreva cartas a ela. 
Seja mais livre e criativa. 
Depois dessa conversa caiu em minhas mãos um livro. 
E na leitura desse encontro e reencontro escrevo para a minha amiga:
                                          
                                    SUA VIDA PODE ESTAR CONTAMINADA PELA CRIANÇA INTERIOR FERIDA

Mas se você acreditar que pode mudar
Acredite que pode ser infantil
Você pode lembrar-se de cenas da sua infância
Você pode ter regressões dos tempos infantis
Você pode

Busque e compreenda está criança ferida
Você não acredita que está criança ainda está viva
No seu corpo e nos seus sonhos
Ela está e você pode ajudá-la
Ame-a
Busque-a
Resgate-a
Conte histórias para ela
Torne-a eterna em seu ser
Você precisa dela
Para carregar seus prazeres
E suas dores
Não perca a sua natureza essencial
Permita a renovação e a expansão
Do ser humano que você é.

quinta-feira, 24 de março de 2016

A CATADORA DE HISTÒRIAS

Vermelho e Preto
No afã do processo da crise política que estamos vivenciando. Resolvi enviar para alguns grupos do whatsapp um recado para colocarmos roupa preta. E uma pessoa, de um grupo, respondeu com toda convicção: “vou sair de vermelho”. Quando li está frase, vem à lembrança os quatro moradores de rua.
Um dia desses quando fazia a minha caminhada e resolvi dar uma parada pra ver, ouvir e sentir o mar; a mulher chegou. Olhei para ela com olhos de espanto. Ela percebeu o meu medo e disse: - Mulher não vou fazer nada, não vou pedir nada, não quero nada. Quero que você ouça a minha história.
Foi neste instante que vi o rosto envelhecido, rugas do sinal do tempo sofrido. O vestido vermelho coberto de lantejoulas enormes. E na cabeça um pano dourado coberto de lantejoulas douradas. E ela começou:
- Eu tinha apenas doze anos quando saí de casa para viver nas ruas. Fui morar em um prostíbulo e lá com apenas quatorze anos eu era a rainha da dona da casa. Fui amada, judiada, violentada e um dia fugi. Encontrei o velho homem, ele cuidou de mim. Mas o álcool foi corroendo tudo por fora e por dentro. Perdemos tudo. Um dia encontramos o moço e passamos a vagar pelas ruas os três. Agora chegou este menino. Vivo com os três. Às vezes o menino me procura, mas quer colo e chora em meu peito. O velho sabe que está no fim. A doença chegou e ele espera pela morte. O moço ainda tem forças para amar uma mulher. Vivemos os quatro aqui. Comemos o resto que as pessoas jogam. E assim o tempo passa. Precisava falar com outra mulher. Já não tenho o corpo de antes. Meu corpo era belo. Era desejado. Foi amado. Olha o estado do meu corpo hoje! Estou feia, estou velha, estou perdida.
Naquele momento lembrei-me do livro da Clarissa Pinkola Estés, Mulheres que correm com lobos; o capítulo sete, o título é “o corpo jubiloso: a carne selvagem” (1994, p.250).

Olhei para aquela mulher e disse: - você não está feia, você não está velha, você não está perdida. Você é a mãe do menino, a companheira do velho e a amante mulher do homem.
 

quarta-feira, 23 de março de 2016

CATADORA DE HISTÒRIAS

Catadora de Histórias
Sou uma contadora de histórias, vivo por este mundo descobrindo histórias. Na terça-feira (15\03), recebi um whatsapp pedindo para eu ler um texto. Qual não foi a minha surpresa, era do jornal A Gazeta de Piracicaba. Mais especificamente na página do bem-estar. E o texto era sobre a felicidade do Plinio Montagner.  
Todas as terças-feiras têm reunião na casa desta contadora de histórias. É o momento de leitura das histórias dos livros e as histórias da vida. Mas neste dia lemos e discutimos “o que é felicidade para você?”.
E cada um que ali estava foi narrando o que era felicidade, preparar uma comida simples e deliciosa, estar reunido com amigos, ou estar dentro do metrô e ver o povo de verde amarelo em busca de um país mais humano.
Mas esse texto me incomodou. Fiquei a pensar: ser feliz é um desejo de todos talvez; estar feliz é o momento vivido - de um grande amor, do nascimento do filho, e tantos outros momentos que podemos considerar o estar feliz.
E ter felicidade o que é? É o encontro do ser e do estar feliz? É viver um momento um instante só ou acompanhado? São questões que me fazem pensar neste momento de crise que vivemos. O povo está triste, inseguro, impotente nesta turbulência política. Como diz Leonardo Boff em seu livro Crise Oportunidade de Crescimento (2002), mudamos ou morremos.
Quero e desejo acompanhar este período de uma forma suave, eu confio neste povo corajoso, que vai às ruas de verde e amarelo, que canta o hino nacional. Povo forte! Sim. Fortificado pela desesperança em homens públicos.
Bom, volto ao texto do Plínio que diz: “Felicidade é algo muito sério, por isso não está à venda em nenhum lugar”. Nós nos tornamos consumistas, competidores e excluímos coisas e seres.  

Desejo caminhar em busca de momentos vividos nos encontros de cooperação e comunidade da pessoa humana. 

segunda-feira, 21 de março de 2016

A CATADORA DE HISTÓRIAS

A CATADORA DE HISTÓRIAS

Pra Iemanjá

Vim aqui hoje
Oiá nos teu zóio
Dize procê que já não sei mais rezá
Mais to aqui pá agradece
Minha gratidão é do tamanho de ocê
Fico pequena aqui na areia
Oiando pro alto nos teu zóio
Sua roupa azul     
Da cor do céu do dia que aqui cheguei
As concha na tuas mão
Fico a oiá e tenho a esperança que uma caia
Na minha mão
Que to a implora      
Vem o pássaro e fica bem junto de ocê         
Na sua cabeça ele senta, acomoda e fica
Mas vim aqui só pá agradece
Tudo deu certo
Um ficou a oiá o meu cachorro
Outro fez tudo que podia
Pra até minha bicicreta traze
Eu só tenho é que agradece
Todo dia eu vou e óio nos teus zóio
É a gratidão

É lágrima que escorre nos meus zóio procê