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segunda-feira, 5 de abril de 2021

OS HERÓIS

 


                                                                    OS HERÓIS

 

Os heróis da menina eram os personagens das histórias que ouvia em casa e na escola. Sonhava com o príncipe em seu cavalo branco. Com o guerreiro que salvava a mocinha, com o gigante bondoso que libertava a princesa.

Mas o herói mesmo era o velho que salvava a menina das diabruras que fazia. O outro herói era o irmão mais velho, que fazia pipa, com varetas de bambu, cola de trigo e papel de seda. Depois ia para rua com o carretel e a pipa em uma das mãos e na outra mão a menina que segurava firme. Batia o vento e ele começava a dar linha para a pipa subir.

Quando a pipa estava lá no alto a menina chorava. Queria a pipa de volta. Às vezes ele conseguia traze-la, mas geralmente a linha arrebentava e a pipa bailava junto com as nuvens, dançava no ar ao som do vento e ia sumindo, sumindo até desaparecer.

A menina chorava.

À noite quando os três irmãos deitavam para dormir ele, o encantador de pipas, contava uma história inventada. Quando terminava de contar dizia: “a pipa sussurrou em meu ouvido esta história. Mas sempre a menina já estava dormindo.

Sonhava com seus heróis encantados e os amados que estavam ali bem perto dela.

 O tempo passava e no outro e mais outro dia uma pipa era construída e o vento levava-a para bem longe, mas a menina não mais chorava.

Sabia ela que outra história seria sussurrada pela pipa no ouvido do irmão mais velho.

sábado, 3 de abril de 2021

PACIÊNCIA INFINITA

 


                                                                  PACIÊNCIA INFINITA

Carmelina Escritora

A menina não tão bela, era patinho feio na família. Enquanto na escola era a rainha, a princesa, a pequena levada. Foi a primeira menina a ir para a diretoria naquela escola.

Com os amigos era a palhaça. A alegria de viver intensamente na rua de terra batida com as brincadeiras: corre-corre, pega-pega, esconde-esconde, barra manteiga, queimada e tantas outras.

A menina tinha um sonho... ser cantora de rádio. Mas era desafinada. Quando uma vez por semana as crianças brincavam de programa de rádio: que desespero, que solidão. Quando ela soltava a voz... ninguém compreendia. Eram risos, comentários jocosos. Que tristeza.

Um dia tomou uma decisão. Foi para o quintal pegou um cabo de vassoura, uns jornais velhos, panos, barbante, tesoura e começou o desafio.

À tarde quando o pai chegou, ela ainda estava lá na tentativa e erro.

Chorava a menina: como fazer aquele cabo de vassoura ficar em pé?

O pai, na sua paciência infinita, encontrou uma tampa de panela velha, tirou o puxador, aumentou o furo e adaptou o cabo de vassoura. Agora faltava colocar o microfone que ela tinha feito com as sucatas que havia encontrado em casa.

Na paciência infinita o pai amarrou com um pedaço de barbante. Pronto. A menina tinha o seu próprio microfone.

Naquele final de semana ela vestiu o seu vestido de missa, calçou meias e sapatos, prendeu o cabelo no alto com um lindo laço de fita vermelha. Estava deslumbrante.

Quando as crianças chegaram para começar o programa de rádio. Lá estava ela com o seu próprio microfone todo pintado com uma tinta que parecia purpurina dourada.

Naquela noite a menina começou a sua história. De apresentadora de programa de rádio na infância à contadora de histórias...

 

O DIA HOJE É AGORA

 

 

Carmelina Escritora

 

É a poesia que na escola começou.

É a poesia que nasceu depois de uma dor, uma perda.

É a poesia nos olhos do olhar do fotógrafo

Numa lente que o inspira.

 

É a poesia épica com a Musa Calíope.

É a poesia a partir de um vestido

Na mostra do colo sensual de uma mulher.

 

É a poesia lírica com a Musa Euterpe.

É a poesia em mim,

Em você,

Em nós.

 

É simplesmente a poesia

Na arte de poetizar

E escrever poesias.

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 28 de janeiro de 2018

LEIA

Olá, vou começar provocar você com leituras. Por exemplo: o livro da escritora Louisa May Alcott, "MULHERZINHAS". 
Uma escritora que tinha um sonho, ser atriz, mas aproveita suas experiências e escreve uma história. Você ri, chora e se encanta com as quatro meninas. A delicadeza da mãe, A amizade entre vizinhos. A história atravessa um ano e neste ano tudo pode acontecer. 
Acabei de ler.
Adorei. 
Resolvi indicar para você. 
Leia.

terça-feira, 11 de abril de 2017

A Guardadora

 Todas as noites eu esperava. Primeiro passava o velho homem com seu cachorro velho e manco, tão velho era o cão que mal conseguia andar. Todas as noites eu esperava por eles. O velho passava por mim e dizia:
- Boa noite, menina, passou bem o dia!
- Sim. E o senhor?
- Também, quem não está bem é ele, o Gregório. Velho e cansado. Mas não fica em casa.
O velho agachava, carregava o cachorro e continuava sua caminhada.
Eu esperava por ela. Usava um rodado vestido de retalhos coloridos.
Retalhos cor do céu e da terra, da cor da alegria e da tristeza, do amor e dos sonhos.  Carregava uma sacola de palha, passava e dizia:
- Boa noite, menina, passou bem o dia?
- Sim. E a senhora?
-Muito bem.
Continuava o caminho. Eu olhava a lentidão e a calma de cada passo. Sabia que ela catava os sonhos que estavam livres, mas às vezes apareciam sonhos medrosos, perdidos, sensíveis e comoventes. Todos eram colocados comodamente na sacola de palha. Mesmo aqueles que voavam em busca de novos caminhos e os que passavam sorrateiramente pelas frestas das janelas e das portas.
Eu esperava o velho homem voltar com o Gregório no colo, e a mulher vinha logo em seguida, quase curvada com o peso da sacola.
Ele dizia:
- Até amanhã minha menina!
-Até amanhã senhor!
Ela passava dava uma parada para trocar a sacola de mão olhava em meus olhos e sussurrava:
- Até amanhã minha menina!
- Até amanhã senhora!
Lentamente os dois subiam a encosta da montanha, a lua era a companheira daquelas três criaturas. Os guardadores de sonhos e histórias.
Moravam em uma pequena casa lá no alto bem perto do céu, da lua, das estrelas e do calor do sol. Quando chegavam, colocavam o Gregório para dormir, retiravam cada sonho da sacola e os transformavam em belas histórias.
No dia seguinte, as histórias eram contadas por quem quisesse ouvir.
Ela começava suas histórias com uma fala que encantava e cativava cada pessoa presente. Podia ser uma criança, um jovem ou adulto, ou até os velhos que sempre esperavam pelos três: o velho, a mulher e o Gregório.
Assim eles tinham certeza que os sonhos e as histórias nunca iriam morrer.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

#VENCI !





Vencer e sair da redoma de dores e dessabores 
Voar e encontrar a vida à espera de um novo dia
Um dia e depois outro e mais outro são dias e dias 
Luas e luas
Sóis e sóis

Noites de esperanças
Dias acordados para o tempo que virá 

Foi assim 
E hoje estou aqui 

Aqui para dizer:
#VENCI !

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Um dia em 1992

Um dia de 1992



Eu vou escrever.
Sei que vou escrever. Mas cada dia que passa não pego em um lápis, uma caneta e o papel em branco. Olho para ele e continua em branco.
A casa para cuidar, o trabalho da escola para fazer.
À noite vem a inspiração: frases, imagens, movimentos e momentos do dia a dia.
Não levanto, não anoto, apenas penso: “amanhã eu escrevo”.
No outro dia, não escrevo.    
Hoje, o dia está inteiro, só meu. Vou colocar o papel na máquina de escrever. Estou na cama. Estou só. Ele saiu para o trabalho, a casa nada pra fazer, tudo a minha volta conspira para eu escrever.
Levanto. Tomo café. Assusto quando o telefone toca. Que saco! Tão cedo e me descobriram em casa. Atendo – é engano, ótimo, vou escrever. A campainha toca. Não vou atender. Ou vou? Não sei. Ouço novamente. Merda! Quem sabe pode ser um bom personagem para o meu conto.
Abro a porta e olho. Ninguém? Será que demorei tanto para abrir a porta? É colocar o papel na máquina e escrever. O dia está inteiro.
Escrever, escrever e escrevo, escrevo sem parar. Até terminar o conto. Ponto final. Terminei.
Mas o que faço agora? Começar outra história? O dia não terminou, ele não chegou, estou só. Só muito só.
Outro conto.
Bato letra por letra na máquina de escrever e escrevo, escrevo e escrevo - s-o-l-i-d-ã-o.
O dia terminou e ele não veio eu escrevo, escrevo e escrevo...
Que fome!