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sábado, 20 de setembro de 2014

- Sinto que preciso amar... -


- Mão -



Andar e girar.
São círculos, riscos e rabiscos,
São braços, pernas e mãos. 
Corpos que se enroscam e se arrastam pelo chão
Num só movimento.
Na sensação encontro felinos e aves de rapina.
Descoberta da água e do fogo, da luz e da sombra.
O ar, a terra. 
Tramas e sonhos do encanto de descobrir o corpo.

- Grito -



Eu nessa imagem.

Medo do quê?
Medo de quem?
Medo do medo que vem e fica.

Além dali, o azul do céu.
As grades do medo no entorno do meu corpo.

Sonho
Com a tela de vidro quebrada

Lembro
Da cobra de vidro comprada como pingente.
Antes de colocá-la no pescoço
Ela cai
E parte ao meio.

Além dali, o anil do céu.
As grades do medo no entorno do meu corpo.

Segui em busca do universo.
E na liberdade de escolha caminhei ao meu tempo.

Grito por novos caminhos.
Por amores desejados
E por conceber esperanças.

- Máscaras -


Pelo grito sou levada
Não sei pra onde.
Meus pés perderam o chão. 
Todos olharam e nada fizeram.
Busco a mão que não vem 
Colho a planta já morta em vão.
Grito, grito, grito!
Vejo a mulher escondida em mim
Os cabelos ao vento, o sol no rosto, 
O tempo no olhar de las abuelitas.
A criança aparece pela janela fechada
E os meus olhos estão nas grades em vão.
Quero arrebentá-las!
Quero voar!
Quero ir.
Quero fazer. 
Quero 
Amar
Viver
Sentir
Colocar novamente os meus pés no chão 
De terra batida do meu quintal.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

- A Olaria das Palavras -



Surgem cenas e imagens
Nascer 
O barro.
Crescer 
O vaso.
Vida em busca.
Envelhecer
Buscar a vida perdida no tempo.
Sentir o peso dos dias
É luta
É batalha
É espera
Buscar o frescor e a espontaneidade
Na estrada carregada de pedras.
Saltar
Chutar
Pular
Seja lá o que tenha acontecido
É ouro, prata, bronze
É âmbar, marfim
A olaria das etapas vividas.



Publicado no Caderno do Sarau Literário Piracicabano
de 19 de Agosto - Parte 2

- O velho Mestre -


"O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.- " Qual é o gosto ? " perguntou o Mestre.- " Ruim " disse o aprendiz. O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o velho disse :- " Beba um pouco dessa água ". Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou :- " Qual é o gosto ? "- " Bom ! " disse o rapaz.- Você sente gosto do " sal " perguntou o Mestre ?- " Não " disse o jovem. O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse: - A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende do lugar onde a colocamos. Então quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido das coisas. Deixe de ser um copo. Torne-se um lago..."

(foto de Mirella Santana)